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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

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Bruno Reis enfrenta pedido de impeachment após crise no transporte público de Salvador

Protestos, abaixo-assinado e investigação eleitoral ampliam a pressão sobre o prefeito após problemas na circulação de ônibus durante a votação

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), enfrenta pressão política após os problemas registrados no transporte público da capital baiana durante o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25 de outubro). O episódio provocou manifestações, mobilização nas redes sociais e a apresentação de um pedido formal de impeachment na Câmara Municipal.

Na segunda-feira (26), estudantes e representantes de movimentos sociais realizaram um protesto na Praça Municipal, em frente à sede da Prefeitura. Os manifestantes cobraram esclarecimentos sobre a redução da circulação de ônibus e pediram a responsabilização da administração municipal.

Pedido de impeachment chega à Câmara

O vereador Hamilton Assis (PSOL), um dos responsáveis pela mobilização, protocolou um pedido de impeachment contra o prefeito na Câmara Municipal de Salvador. A solicitação deverá passar pelas etapas de análise previstas no Legislativo.

Paralelamente, um abaixo-assinado publicado na plataforma Change.org ultrapassou 250 mil assinaturas em aproximadamente 24 horas. A iniciativa pede que sejam investigadas as responsabilidades pelos problemas no transporte durante o período de votação.

O número de assinaturas demonstra a dimensão alcançada pela mobilização, mas não determina automaticamente a abertura de um processo nem representa uma decisão pelo afastamento do prefeito.

Entenda a controvérsia sobre os ônibus

No domingo, denúncias apontaram que parte dos ônibus permaneceu nas garagens durante as primeiras horas do segundo turno. Segundo reportagem do Bahia Notícias, um levantamento do Procon-BA identificou 544 veículos parados em cinco garagens durante o período de votação.

Bruno Reis afirmou que o atraso ocorreu devido à retirada de adesivos de propaganda eleitoral colocados nos coletivos. Segundo a explicação do prefeito, as empresas de transporte retiveram veículos para remover o material, e a administração municipal determinou posteriormente a liberação dos ônibus.

A versão apresentada pela Prefeitura foi contestada por denunciantes, que questionaram a oferta de transporte aos eleitores e solicitaram a apuração dos fatos.

Justiça Eleitoral determina investigação

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou o restabelecimento da frota integral durante a votação. No domingo, o presidente do tribunal também ordenou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.

Na segunda-feira, porém, a ordem de prisão foi tornada sem efeito. O TRE-BA esclareceu que a decisão não encerra a apuração nem representa julgamento definitivo sobre a existência de crime ou a responsabilidade dos envolvidos.

O tribunal encaminhou o caso à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para investigar possíveis crimes eleitorais relacionados à redução da frota. Também determinou que a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Mobilidade e as empresas concessionárias preservem e apresentem documentos sobre a operação dos ônibus naquele dia.

Protesto termina com danos à sede da Prefeitura

A manifestação de segunda-feira também teve desdobramentos relacionados à segurança. Segundo a Prefeitura, houve tentativas de invasão do Palácio Thomé de Souza e danos ao patrimônio público, incluindo pichações. Por esse motivo, o expediente no edifício foi suspenso.

Os atos de vandalismo foram relatados pela administração municipal, enquanto os manifestantes cobravam esclarecimentos e responsabilização pelo transporte público no dia da eleição. A identificação dos responsáveis pelos danos deve ser apurada pelas autoridades competentes.

Quais são os próximos passos?

O pedido protocolado na Câmara ainda precisa passar pela análise dos órgãos legislativos responsáveis. A eventual abertura de um processo dependerá do cumprimento dos requisitos legais e das decisões tomadas no âmbito da Casa.

Ao mesmo tempo, a investigação eleitoral deverá esclarecer as circunstâncias da redução da frota, as decisões adotadas pela gestão municipal e a eventual responsabilidade dos envolvidos.

Até que as apurações avancem, o pedido de impeachment deve ser tratado como uma iniciativa política e jurídica em andamento, e não como uma decisão de afastamento ou uma comprovação definitiva de irregularidade por parte do prefeito.